quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sobre escolhas que não queremos e caminhos que não sonhamos



Ser adulto é muito complicado. Temos que trabalhar, estudar. Temos responsabilidades. Temos que ser “alguém”. E quando estamos nessa fase, é quase geral aquela crise de identidade; passamos a nos relacionar com o tempo de maneira totalmente diferente, uma vez que sabemos que estamos pouco a pouco deixando de existir e que inexoravelmente morreremos.

O desespero, muitas vezes, começa a fazer parte do cotidiano. Questionamos a vida e nos perguntamos se chegamos onde sonhávamos, se somos felizes com nossas escolhas. Questionamos a nós mesmos, se o que fazemos reflete o que somos ou se nos deixamos levar pela maré, pelo efeito manada. Ainda que seja difícil prever as conseqüências das nossas escolhas, é necessário que tenhamos coragem para tomá-las e não seguir à risca o que a sociedade determina que devemos fazer.

Qualquer escolha que fizermos nos trará dificuldades. Sempre haverá o imprevisível, o incontrolável, estes são amálgamas indissolúveis da vida. Então, não adianta querer ser advogado ou médico pela vontade dos pais, ou simplesmente porque há segurança sendo um “doutor”. Como também, viver sem medo de arriscar não renderá necessariamente uma vida feliz.

Em cada oportunidade que temos é preciso deixar a nossa marca, ser o que somos, pois a vida é breve e não comporta reprises. As opções mais “seguras” lhe levarão a caminhos que nada tem a ver com você. Caminhos, em que não consegue enxergar os seus passos. Caminhos vazios e tristes; depressões distantes das montanhas. E aí, eu pergunto: as opções “seguras” deixaram de trazer dificuldades?

Qualquer escolha que se faz traz dificuldades, como já disse, mas quando essa escolha é feita por nós, quando nos enxergamos naquilo que fazemos, nos sentimos vivos e mais fortes para superar as dificuldades que são inerentes a qualquer escolha que fazemos.

Entretanto, tenho percebido que temos nos acovardado diante dos outros e cada vez mais estamos seguindo o rebanho. Concomitante a isso, sonhos são deixados para trás e indivíduos apenas sobrevivem, sem ânimo no que fazem.

Ser feliz é mais do que passar os dias fazendo planilhas no Excel, mesmo que isso “renda” bem. Viver uma vida clichê, com adoçante e café descafeinado não é a receita do sucesso,  simplesmente porque esta não existe. Cada pessoa carrega uma história dentro de si, sonhos, vontades e sim, tem o direito de realizá-los.

Se adequar a uma sociedade doente não é o melhor caminho, pois além de ser apenas mais um entre tantos iguais, preocupados com formação técnica e uma vidinha burocrática que lhe “renda” um belo salário, serão indivíduos vazios, sem memórias que permitam lhes definir, cheios de hiatos existenciais, como um forasteiro que não sabe de onde veio ou quem é.

Quando fazemos escolhas por pressão social ou por medo de nos arriscar, nunca conseguiremos nos permite abrilhantar o mundo com o nosso melhor; seremos estrelas sem brilho que não iluminam o céu. Isto é, estaremos lá, mas não seremos percebidos. Seremos marionetes de um espetáculo que se movem por caminhos ocultos ao nosso coração.

Presos numa relação nebulosa com o tempo não conseguimos nos encontrar. E, talvez, nem precise, pois seremos apenas pele morta de sentimentos que um dia pulsaram por águas diferentes. Tão diferentes que lhe disseram para remar em sentido contrário. E você foi. Não é um vitorioso nem um derrotado. É viajante de um lugar desconhecido que outrora disseram para ir. Senti-se triste e tem vontade de voltar, mas não lembra-se dos antigos caminhos que queria seguir. Então, continua. Sem ânimo, alma ou vontade. Não é um vitorioso nem um derrotado. Uma vez que,
"Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado nem mérito nem fracasso."

13 comentários:

  1. Olá Erick!
    Não sei o que te inspirou a escrever, se você se sente assim ou conhece alguém que vive desta maneira, mas sei exatamente qual é o sentimento de precisar crescer e não saber exatamente como... Se descobrir, agradeço se compartilhar...
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Olá Bia! Os meus textos sempre tem haver comigo, com o que acho e sinto. Este reflete bem o que acho sobre a nossa atual cultura, a qual não nos fortalece na busca pela realização dos sonhos. As pessoas que têm alma artística (como a minha e provavelmente a sua) se veem intimidados o tempo inteiro por uma sociedade que só entende sucesso como uma palavra: "dinheiro". Temos o direito de sermos felizes como quisermos, não precisamos ser tão adequados. Acredito que a solução é ser corajoso, embora seja difícil, mas não vejo outra saída a não ser essa. Se as dúvidas reinam sobre tua mente, esquece-a e segue teu coração. Abraços e espero que ajude.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns Eric!!!! Belo texto.
    Tenho alguns textos similares a esse no recanto das letras.
    Abraço.
    Marco Antonio Rodrigues.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado Marco. Irei pesquisar, abraços!

      Excluir
  4. Leio seus textos e sinto uma vontade, imensa, de te dar colo.

    ResponderExcluir
  5. Erick , afinal vc ta ganhando o suficiente p sua sobrevivencia ?! Ou nao estah tao adquado assim na nossa sociedade como vc mesmo diz?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza não estou minimamente adequado, rs. É triste, mas a luta continua.

      Excluir
  6. Perfeito, Erick, tenho um texto publicado na Obvious, que me parece ilustrar perfeitamente essa questão. Se tiver paciência para ler, será um prazer. segue o link http://lounge.obviousmag.org/trocando_ideias/2014/07/pequenas-desistencias.html

    ResponderExcluir
  7. A verdade é que, mesmo o que apenas aceitamos em nossas vidas já são escolhas que fazemos.E talvez seja isso o o pior sentimento.Porque deixamos que as coisas sejam impostas e não conseguimos dar um passo em um rumo diferente.Aí as pessoas calam a voz,sufocam os sentimentos e vontades, abrindo assim espaço para a tristeza e a depressão.O segredo é ouvir o coração e lembrar que só temos a garantia dessa vida para viver.Então,assuma o controle da sua vida e dê a ela a direção que deseja,e pare de jogar a culpa nos outros,das limitações que vc mesmo deixa que te paralisem,te barrem o caminho.Ou aceita o que tem hoje como uma escolha consciente que vc mesmo fez. Abraços para todos.

    ResponderExcluir
  8. A verdade é que, mesmo o que apenas aceitamos em nossas vidas já são escolhas que fazemos.E talvez seja isso o o pior sentimento.Porque deixamos que as coisas sejam impostas e não conseguimos dar um passo em um rumo diferente.Aí as pessoas calam a voz,sufocam os sentimentos e vontades, abrindo assim espaço para a tristeza e a depressão.O segredo é ouvir o coração e lembrar que só temos a garantia dessa vida para viver.Então,assuma o controle da sua vida e dê a ela a direção que deseja,e pare de jogar a culpa nos outros,das limitações que vc mesmo deixa que te paralisem,te barrem o caminho.Ou aceita o que tem hoje como uma escolha consciente que vc mesmo fez. Abraços para todos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo, até mesmo quando não nos posicionamos, fazemos uma escolha. O importante como disse é não nos deixarmos sufocar ou como disse Thoreau - levar uma vida de silencioso desespero. Abraços!

      Excluir